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Brigadeiro Tour | Bruxelas: cerveja, fritas e uma quase sem-teto

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Bom, continuando os posts sobre a Brigadeiro Tour, temos a minha rápida passagem de dois dias por Bruxelas, minha primeira parada na Bélgica.

Como o país faz fronteira com a França e a distância não era tão grande, resolvi pegar um ônibus. Fui de OuiBus, uma empresa que adorei. As passagens são baratas (paguei 20 euros na minha, mas poderia ter sido ainda menos, se eu tivesse reservado com mais antecedência), a equipe é muito educada e simpática, os ônibus são modernos, limpos e bem equipados (têm wifi grátis – mas 60 ou 100 MB por passageiro; fiquem preparados para não gastar tudo, como eu, haha – e tomadas para carregar o celular) e pontuais.

Fiz o checkout do apartamento em Paris, almocei pela Gare de Lyon mesmo e fiz um pouco de hora, já que meu ônibus só ia sair às 14h. Quando deu mais ou menos 13h, peguei o metrô e desci uma estação depois. Aí andei um quarteirão e cheguei à estação Bercy (Centre Ville), de onde o busão sairia.

Chegamos em Bruxelas por volta das 19h e estava chovendo um pouquinho, então chamei o Uber, em vez de procurar uma saída pelo transporte público.

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Eu já tinha reservas para o Hotel Galia, na Place du Jeu de Balle, então cheguei, fiz o check in, deixei minhas coisas no quarto e arrumei minha cama de uma vez, para só precisar pular embaixo das cobertas depois de voltar e tomar um banho (guardem essa informação para os dramáticos desdobramentos seguintes).

Saí para encontrar Renan, um colega, na Grand-Place, então baixei o mapa da cidade e arredores no modo offline do Google Maps (dica da vida: faça isso sempre e salve a sua hospedagem como endereço favorito! De preferência antes de chegar ao seu destino. Assim, se você se perder, sempre vai conseguir voltar pra casa) e fui embora.

Eu tinha duas opções de caminho: passar por cima da praça, pela Rue Blaes, onde eu teria que fazer mais voltas, ou por baixo, onde tinha um viaduto. Me arrependi rapidinho dessa economia de tempo…

Por baixo, não tinha quase nenhum movimento e, uns dois quarteirões depois do hostel, um carro com dois caras passou pela rua e, ao chegar perto de mim, começou a andar muito, muito devagar. Eu já comecei a suar frio e pensar: “é aqui que eu morro!”. Então, do nada, o motorista cantou pneu e saiu zunando pela rua. Nunca mais os vi, felizmente.

A partir daí, andei mais rápido que uma maratonista e rapidinho cheguei à Grand-Place! Nada como um bom susto para deixar a gente ágil, né? haha. Mas, sério, fora esse incidente, nada mais aconteceu e achei bem de boa andar pela cidade. 🙂

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Quando cheguei à Grand-Place já eram umas 20h30, mais ou menos, então estava quase noite (como falei antes, na primavera/verão, o dia fica claro até umas 21h, na Europa), mas deu para ficar bem impactada com a beleza do lugar. É um quadrado enorme, aberto, todo cercado de prédios antigos, góticos, cheeeeios de ouro em tudo que é canto.

Esse aí da foto é a Câmara Municipal de Bruxelas e eu passei vários minutos igual boba, olhando cada detalhe e tentando entender como as pessoas conseguiram construir algo tão surreal numa época em que tudo era feito à mão. É incrível!

Encontrei com o Renan no Museu, que fica do lado oposto da Câmara, e fomos andar um pouco pelo centro, para procurar um lugar para beber.

Acabamos ficando no Au Brasseur, um bar bem legalzinho que não fica muito longe da Praça. Estava meio frio e eles não serviam comida, só cervejas, mas eles tinham uns aquecedores do lado de fora (dentro já tava lotado), e tinham várias promoções do tipo “compre 2 e ganhe 1”, tanto para mojitos quanto para cervejas, então ficamos por lá mesmo.

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Antes de fixar lugar, demos um pulo na loja de fritas e compramos uns sanduíches enormes para comer enquanto bebíamos (no Au Brasseur você pode levar a comida de fora, já que eles só vendem bebidas mesmo). Acho que eram umas baguetes recheadas com linguiça e batata frita. Só sei que não gostei e comi basicamente só a batata.

De volta ao bar, provei uma cerveja de cereja, a Kriek, que se tornou meu amor etílico para a vida. O único problema é que, por ser docinha, você fica bêbada e nem sente. Meio Skol Britney no nível perigo, sabem? hahah

Ah, uma coisa que vale a pena avisar é que, na Europa (assim como nos EUA) o normal é pagar pela bebida antes de recebê-la. Eu, no primeiro bar, ainda em Paris, fiquei uns bons 30 segundos encarando o garçom que estava me encarando, tentando entender o que estava acontecendo, hahah. Aí minha colega percebeu e falou que a gente paga antes.

Ao lado da nossa mesa estavam dois americanos (um que era A CARA do Ross de Friends) e um mexicano. O último estava bêbado feito um gambá, mas pagando bebida à vontade para os americanos, que ele havia conhecido ali mesmo, meia hora antes. Rimos um bocado e ficamos conversando com eles até a hora de ir embora.

Por volta da meia noite e meia, decidimos ir embora. Eu resolvi ir de Uber, porque ainda tava meio assustada e estava hospedada numa área muito sem movimento à noite, então fomos para a Grand-Place usar o wifi.

Depois de pedir o carro, esperar mais de 15 minutos, cancelar a corrida e ficar sem bateria, resolvi ir de taxi, mesmo. Então fui com o Renan para o ponto, nos despedimos, peguei um taxi e fui pro hostel.

Chegando lá, cumprimentei o menino da recepção e fui pro meu quarto. Abri o locker, peguei o carregador e subi pela escada da beliche para deixá-lo carregando enquanto eu tomava banho… E aí, quando toquei no lençol, senti uma perna!

Como eu tinha bebido um bocado, toquei de novo, para conferir. Era mesmo uma perna. Alguma folgada entrou lá, na minha caminha, que eu tinha preparado! Com um misto de assombro e raiva, fui correndo pra recepção e avisei pro moço: “tem alguém deitado na minha cama! Acabei de pegar numa perna!”. Ele, que estava atendendo uma mulher grávida, pareceu mais assustado que eu e pediu para esperar, que só ia levá-la ao quarto dela e resolveria meu problema. Eu e a moça trocamos olhares solidários e ela se foi com ele.

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Uns 2 minutos depois, ambos voltaram. A mulher disse que eles venderam camas a mais e ela estava sem quarto. Mais uma vez, pensei: “fudeu!”.

O menino foi ao meu quarto, viu que realmente tinha alguém lá e aí ele entrou em pânico real. Parecia uma sit-com ruim, haha. Ele ligou para quem acho que era o gerente (descobrimos que o garoto era novo ali e aquele era o primeiro dia dele no novo trabalho) e ficou uns 5 minutos conversando num idioma que não faço ideia de qual era.

No fim das contas, ele arrumou uma cama para a mulher (que descobri ser uma francesa muito simpática, que tava voltando de uma viagem de trabalho na Itália), mas me disse que, infelizmente, ele não tinha mesmo um lugar pra mim.

Fiquei possessa, desesperada e paralisada, tudo ao mesmo tempo. Eram uma e tanta da manhã, eles haviam dado a MINHA cama para alguém que havia chegado DEPOIS de mim e EU é que ia ficar sem lugar para dormir?!

Felizmente, depois de acordar basicamente todo mundo do quarto, minha nova amiga francesa fez o barraco por mim, achou ela mesma uma cama e eu consegui garantir o teto em solo belga. Mas prometi nunca mais voltar àquele hostel e repetir essa história tantas vezes quanto possível. Então, se você vai para Bruxelas, fique em qualquer lugar, menos no Hotel Galia!

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Depois de tanto drama, no dia seguinte eu acordei umas 9h, decidi não pegar o café do hostel e saí para conhecer de verdade a cidade antiga e os pontos turísticos que eu queria ver.

Aqui, cabe dizer que eu não faço a linha turista tradicional: não saio visitando todos os pontos turísticos nem seguindo as listas de “lugares obrigatórios”. Eu leio tudo, pesquiso, vejo o que me parece interessante, procuro críticas e aí decido o que vou ver.

Como Bruxelas foi rapidinha, preferi andar pela cidade, comer e beber do que sair louca atrás de cada marco indicado pelos guias, hehe.

Falando nisso, sobre o famoso Manneken Pis: sem graça. É pequeno, tava rolando um reparo, então tava com as laterais cobertas e fica cheio de gente na frente. Gostei da roupinha (e sei que eles sempre trocam), mas achei os graffitis espalhados pela cidade – e são muitos! – muito mais legais.

À luz do dia e com fome, os waffles me chamaram com o canto da sereia, mas me deram um susto tão grande que eu até desisti de provar! Explico: você passa pelas lojas e tem placas enormes anunciando: “WAFFLES: 1 EURO”, aí você, como qualquer glutão de respeito, corre faminto para comprar, né?

Só que 1 euro é só a casquinha! Com todos os toppings que eu com certeza escolheria, pagaria cerca de 5 euros (e, nessa hora, a cabeça já fez a conversão e seu queixo  tá no chão só de pensar em pagar 20 reais num monte de massinha com chantilly), então resolvi juntar minha pobreza e dignidade e sair dali, antes que eu caísse em tentação.

Em compensação, as fritas foram minhas melhores amigas! Você consegue comprar cones enormes de batatas igualmente enormes, acompanhadas de uma maionese deliciosa, que parece ter sido feita por anjos. Amei as do Belgian Frites, ali na cidade velha, pouco acima da Grand-Place.

para os chocolates, dica: se você vir os kits de 6, 8 caixas e se empolgar com o preço, saiba que aqueles não são
os autênticos chocolates belgas; o que explica o preço tão baixo. Mas nem por isso deixam de ser gostosos! Comprei uma dessas promoções para trazer de presente pro pessoal aqui de casa e eles amaram. Tinham umas trufinhas em formato de gotinhas que eram deliciosas e derretiam na boca. Dá saudade só de lembrar! hahah

Naquele dia, como eu estava literalmente tiritando de frio, resolvi sair à procura de um sobretudo decente para me aquecer, então achei alguns brechós pela internet e fui à caça. Acabei não gostando ou achando tudo caro, até que, por acaso, topei com uma “boutique vintage” (a.k.a.: brechozão! hahah), a Docks Caviar.

Lá eles têm muitas, muitas roupas! Ao contrário da maioria dos brechós, lá você não precisa garimpar demais para conseguir achar coisas boas. Os casacos pesadões ficam por volta de 50 euros, os mais leves, por uns 30, as jaquetas de couro saem a cerca de 100. Tem vestidos de un 15, 20, muitas camisas e camisetas… Não é barato, barato, mas as coisas são bem lindas e conservadas. Adorei!

Se você quiser coisa nova e mais barata, pros lados da Grand-Place (mais nos arredores, na verdade), tem uma galeria cheia de lojas de bolsas, malas e casacos. Comprei um outro sobretudo com um indiano e adorei. Mais ajustado, com corte legal. Só não lembro o nome do lugar. Vou tentar pesquisar e atualizo aqui.

Aliás, dica: 

Para encontrar endereços de restaurantes, brechós, lojas e cia na Europa, achei mais útil consultar o Yelp, que é bem popular por lá, do que qualquer outro site. O Foursquare também rola, mas é melhor para restaurantes.

Falando nisso, se tem uma coisa que Bruxelas tem é brechós e antiquários! Se você gosta de coisas vintage, objetos de decoração, trecos e tal, vai fazer a festa por lá! Na Rue Blaes (Blaesstraat), que ficava logo acima da Place du Jeu de Balle, onde eu fiquei, haviam várias lojas. As de câmera e decor me deixaram doida, hehe.

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E o dia foi basicamente batendo perna pela cidade, procurando presentinhos chocólatras para a família e enchendo o bucho de batata frita. Tanto que passei umas duas semanas sem querer comer. hahah

Já para a segunda e última noite, decidimos ir ao famoso Delirium Café, um bar que já entrou no livro dos recordes por oferecer a maior variedade de cervejas, e descobrir se era mesmo bom.

Mas como tenho ascendente em libra e sou uma mulher de gostos favoritos, resolvi repetir a dose da cerveja de cereja e nela fiquei. E, eita… como daquela água bebereis! haha.

Foi bem legal, tava bastante cheio, mas conseguimos uma mesinha e ficamos umas duas horas por lá. Só é meio difícil ser atendido quando o movimento tá intenso, porque fica todo mundo querendo chamar a atenção dos bartenders, então vira uma disputa.

Voltei com uma colega francesa do hostel para lá, dormi cedo e me preparei para pegar o trem para Bruges, no dia seguinte. E assim acabou minha estadia em Bruxelas!

Ah, para facilitar, vou passar a colocar esses guias com resumos das informações mais importantes para vocês, ó:

Espero que seja útil e vocês gostem! Se usarem alguma dica ou tiverem mais, me contem! 🙂

 

 

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