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Em CULINÁRIA, VIAGEM

Onde comer barato em Paris

onde_comer_barato_parisSe economizar quando a gente viaja é uma coisa importante, imagina quando o destino é Paris! Afinal, o que essa cidade tem de linda, tem de cara! E como não dá pra vir pra cá planejando comer só baguete, aqui vai uma lista com os meus três restaurantes baratinhos preferidos. Vem ver!                             restaurantes_baratos_paris_le_ruisseauPara quem me conhece ou me segue no insta há pelo menos 30 minutos, sabe que eu sou tarada por comida – principalmente junkie -, então é claro que uma das primeiras coisas que eu fiz quando mudei pra cá foi procurar um bom hambúrguer.

Como, modéstia à parte, encontrar boa comida é um dom meu, o Le Ruisseau foi o primeiro lugar que visitei e, felizmente, uma excelente escolha.

Um dos melhores hambúrgueres que eu já experimentei, com fritas feitas à perfeição e fritas num óleo que tem um sabor de bacon que eu não sei explicar; apenas apreciar. Ah, e o molho deles é o melhor que eu já provei! Eu sempre peço uma segunda porção, haha.

De segunda à sexta eles têm um combo (formule) no qual você paga 13 euros pelo burger + fritas + bebida. Bem bom, né? O tamanho é generoso e o lancho é mara!

O Le Ruisseau tem uma unidade perto do Pompidou (pequena, então você pode ter de aguardar um pouco na fila) e uma outra (bem maior) nos arredores de Montmartre. Salvem esse nome!onde_comer_barato_parisAntes de vir pra Paris pela primeira vez, no começo do ano passado, eu fiz uma lista com vários restaurantes baratinhos que eu queria visitar e o Le Drapeau de la Fidelité foi, de longe, o que mais fez meus olhos brilharem. Com a promessa de pratos a 6 euros (que saem a 5 para estudantes) e bebidas a 2 euros, eu já estava apaixonada antes mesmo de ir até lá. E, cara, como valeu a pena!

Desde a minha primeira visita, já apresentei o restaurante a todos os meus amigos, que levaram seus amigos e por aí vai… Eu passo lá quase toda semana!

O ambiente é muito legal, cheio de livros (o Sr. Quan, dono e fundador era professor de filosofia) e o espaço é muito aconchegante. A poucos passos do metrô Volontaires, o restaurante costume lotar na hora de pico das refeições, então é bom visitar ou um pouco antes ou um pouco depois. Mas vale também se espremer no balcão e beber um vinho ou cerveja, enquanto você espera. 🙂

Meu prato preferido é o Porc au Caramel (porco caramelizado acompanhado de arroz branco; 6 euros), que eu sempre acompanho com os sagrados Nems (rolinho primavera, que vem com 5 unidades; 4 euros), mesmo que o garçom sempre duvide que eu sou capaz de comer uma porção para duas pessoas, hahaha.onde_comer_barato_parisAgora, se você quer um lancho, mas mesmo assim quer “sustância”, minha dica é passar na Brother’s Crêpes & Café, um fast food dedicado a um dos pratos mais famosos da França: o crepe.

No restaurante, você pode escolher um dos crepes do menu fixo, cujos preços ficam entre 5.50 e 6.50 euros, ou montar o seu. Eu escolhi a segunda opção e coloquei deus e o mundo dentro do meu e, mesmo assim, paguei só 8.50 euros, com o refri incluso. Achei o preço ótimo; especialmente considerando que o crepe deles é enorme e muito bem recheado. Vale a visita!

E são esses os meus endereços preferidos no quesito gastronômico, aqui em Paris! Espero que as dicas sejam úteis e, quando vocês vierem para testar, me chamem! hahaha

Se vocês têm mais dicas, deixem aqui nos comentários, porque tô sempre em busca de novos restôs! 

 

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Brigadeiro Tour | Bruxelas: cerveja, fritas e uma quase sem-teto

jessica cirino, jesscode - brigadeiro tour - bruxelas: cerveja, fritas e uma quase sem-teto

Bom, continuando os posts sobre a Brigadeiro Tour, temos a minha rápida passagem de dois dias por Bruxelas, minha primeira parada na Bélgica.

Como o país faz fronteira com a França e a distância não era tão grande, resolvi pegar um ônibus. Fui de OuiBus, uma empresa que adorei. As passagens são baratas (paguei 20 euros na minha, mas poderia ter sido ainda menos, se eu tivesse reservado com mais antecedência), a equipe é muito educada e simpática, os ônibus são modernos, limpos e bem equipados (têm wifi grátis – mas 60 ou 100 MB por passageiro; fiquem preparados para não gastar tudo, como eu, haha – e tomadas para carregar o celular) e pontuais.

Fiz o checkout do apartamento em Paris, almocei pela Gare de Lyon mesmo e fiz um pouco de hora, já que meu ônibus só ia sair às 14h. Quando deu mais ou menos 13h, peguei o metrô e desci uma estação depois. Aí andei um quarteirão e cheguei à estação Bercy (Centre Ville), de onde o busão sairia.

Chegamos em Bruxelas por volta das 19h e estava chovendo um pouquinho, então chamei o Uber, em vez de procurar uma saída pelo transporte público.

brigadeiro tour por jess cirino, bruxelas, belgica - ruas

Eu já tinha reservas para o Hotel Galia, na Place du Jeu de Balle, então cheguei, fiz o check in, deixei minhas coisas no quarto e arrumei minha cama de uma vez, para só precisar pular embaixo das cobertas depois de voltar e tomar um banho (guardem essa informação para os dramáticos desdobramentos seguintes).

Saí para encontrar Renan, um colega, na Grand-Place, então baixei o mapa da cidade e arredores no modo offline do Google Maps (dica da vida: faça isso sempre e salve a sua hospedagem como endereço favorito! De preferência antes de chegar ao seu destino. Assim, se você se perder, sempre vai conseguir voltar pra casa) e fui embora.

Eu tinha duas opções de caminho: passar por cima da praça, pela Rue Blaes, onde eu teria que fazer mais voltas, ou por baixo, onde tinha um viaduto. Me arrependi rapidinho dessa economia de tempo…

Por baixo, não tinha quase nenhum movimento e, uns dois quarteirões depois do hostel, um carro com dois caras passou pela rua e, ao chegar perto de mim, começou a andar muito, muito devagar. Eu já comecei a suar frio e pensar: “é aqui que eu morro!”. Então, do nada, o motorista cantou pneu e saiu zunando pela rua. Nunca mais os vi, felizmente.

A partir daí, andei mais rápido que uma maratonista e rapidinho cheguei à Grand-Place! Nada como um bom susto para deixar a gente ágil, né? haha. Mas, sério, fora esse incidente, nada mais aconteceu e achei bem de boa andar pela cidade. 🙂

brigadeiro tour por jess cirino, bruxelas, belgica - camara municipal, grand-place

Quando cheguei à Grand-Place já eram umas 20h30, mais ou menos, então estava quase noite (como falei antes, na primavera/verão, o dia fica claro até umas 21h, na Europa), mas deu para ficar bem impactada com a beleza do lugar. É um quadrado enorme, aberto, todo cercado de prédios antigos, góticos, cheeeeios de ouro em tudo que é canto.

Esse aí da foto é a Câmara Municipal de Bruxelas e eu passei vários minutos igual boba, olhando cada detalhe e tentando entender como as pessoas conseguiram construir algo tão surreal numa época em que tudo era feito à mão. É incrível!

Encontrei com o Renan no Museu, que fica do lado oposto da Câmara, e fomos andar um pouco pelo centro, para procurar um lugar para beber.

Acabamos ficando no Au Brasseur, um bar bem legalzinho que não fica muito longe da Praça. Estava meio frio e eles não serviam comida, só cervejas, mas eles tinham uns aquecedores do lado de fora (dentro já tava lotado), e tinham várias promoções do tipo “compre 2 e ganhe 1”, tanto para mojitos quanto para cervejas, então ficamos por lá mesmo.

brigadeiro tour por jess cirino - bruxelas, bélgica, 2017

Antes de fixar lugar, demos um pulo na loja de fritas e compramos uns sanduíches enormes para comer enquanto bebíamos (no Au Brasseur você pode levar a comida de fora, já que eles só vendem bebidas mesmo). Acho que eram umas baguetes recheadas com linguiça e batata frita. Só sei que não gostei e comi basicamente só a batata.

De volta ao bar, provei uma cerveja de cereja, a Kriek, que se tornou meu amor etílico para a vida. O único problema é que, por ser docinha, você fica bêbada e nem sente. Meio Skol Britney no nível perigo, sabem? hahah

Ah, uma coisa que vale a pena avisar é que, na Europa (assim como nos EUA) o normal é pagar pela bebida antes de recebê-la. Eu, no primeiro bar, ainda em Paris, fiquei uns bons 30 segundos encarando o garçom que estava me encarando, tentando entender o que estava acontecendo, hahah. Aí minha colega percebeu e falou que a gente paga antes.

Ao lado da nossa mesa estavam dois americanos (um que era A CARA do Ross de Friends) e um mexicano. O último estava bêbado feito um gambá, mas pagando bebida à vontade para os americanos, que ele havia conhecido ali mesmo, meia hora antes. Rimos um bocado e ficamos conversando com eles até a hora de ir embora.

Por volta da meia noite e meia, decidimos ir embora. Eu resolvi ir de Uber, porque ainda tava meio assustada e estava hospedada numa área muito sem movimento à noite, então fomos para a Grand-Place usar o wifi.

Depois de pedir o carro, esperar mais de 15 minutos, cancelar a corrida e ficar sem bateria, resolvi ir de taxi, mesmo. Então fui com o Renan para o ponto, nos despedimos, peguei um taxi e fui pro hostel.

Chegando lá, cumprimentei o menino da recepção e fui pro meu quarto. Abri o locker, peguei o carregador e subi pela escada da beliche para deixá-lo carregando enquanto eu tomava banho… E aí, quando toquei no lençol, senti uma perna!

Como eu tinha bebido um bocado, toquei de novo, para conferir. Era mesmo uma perna. Alguma folgada entrou lá, na minha caminha, que eu tinha preparado! Com um misto de assombro e raiva, fui correndo pra recepção e avisei pro moço: “tem alguém deitado na minha cama! Acabei de pegar numa perna!”. Ele, que estava atendendo uma mulher grávida, pareceu mais assustado que eu e pediu para esperar, que só ia levá-la ao quarto dela e resolveria meu problema. Eu e a moça trocamos olhares solidários e ela se foi com ele.

brigadeiro tour por jess cirino, bruxelas, belgica - grand place

Uns 2 minutos depois, ambos voltaram. A mulher disse que eles venderam camas a mais e ela estava sem quarto. Mais uma vez, pensei: “fudeu!”.

O menino foi ao meu quarto, viu que realmente tinha alguém lá e aí ele entrou em pânico real. Parecia uma sit-com ruim, haha. Ele ligou para quem acho que era o gerente (descobrimos que o garoto era novo ali e aquele era o primeiro dia dele no novo trabalho) e ficou uns 5 minutos conversando num idioma que não faço ideia de qual era.

No fim das contas, ele arrumou uma cama para a mulher (que descobri ser uma francesa muito simpática, que tava voltando de uma viagem de trabalho na Itália), mas me disse que, infelizmente, ele não tinha mesmo um lugar pra mim.

Fiquei possessa, desesperada e paralisada, tudo ao mesmo tempo. Eram uma e tanta da manhã, eles haviam dado a MINHA cama para alguém que havia chegado DEPOIS de mim e EU é que ia ficar sem lugar para dormir?!

Felizmente, depois de acordar basicamente todo mundo do quarto, minha nova amiga francesa fez o barraco por mim, achou ela mesma uma cama e eu consegui garantir o teto em solo belga. Mas prometi nunca mais voltar àquele hostel e repetir essa história tantas vezes quanto possível. Então, se você vai para Bruxelas, fique em qualquer lugar, menos no Hotel Galia!

brigadeiro tour por jess cirino, bruxelas, belgica - manneken pis

Depois de tanto drama, no dia seguinte eu acordei umas 9h, decidi não pegar o café do hostel e saí para conhecer de verdade a cidade antiga e os pontos turísticos que eu queria ver.

Aqui, cabe dizer que eu não faço a linha turista tradicional: não saio visitando todos os pontos turísticos nem seguindo as listas de “lugares obrigatórios”. Eu leio tudo, pesquiso, vejo o que me parece interessante, procuro críticas e aí decido o que vou ver.

Como Bruxelas foi rapidinha, preferi andar pela cidade, comer e beber do que sair louca atrás de cada marco indicado pelos guias, hehe.

Falando nisso, sobre o famoso Manneken Pis: sem graça. É pequeno, tava rolando um reparo, então tava com as laterais cobertas e fica cheio de gente na frente. Gostei da roupinha (e sei que eles sempre trocam), mas achei os graffitis espalhados pela cidade – e são muitos! – muito mais legais.

À luz do dia e com fome, os waffles me chamaram com o canto da sereia, mas me deram um susto tão grande que eu até desisti de provar! Explico: você passa pelas lojas e tem placas enormes anunciando: “WAFFLES: 1 EURO”, aí você, como qualquer glutão de respeito, corre faminto para comprar, né?

Só que 1 euro é só a casquinha! Com todos os toppings que eu com certeza escolheria, pagaria cerca de 5 euros (e, nessa hora, a cabeça já fez a conversão e seu queixo  tá no chão só de pensar em pagar 20 reais num monte de massinha com chantilly), então resolvi juntar minha pobreza e dignidade e sair dali, antes que eu caísse em tentação.

Em compensação, as fritas foram minhas melhores amigas! Você consegue comprar cones enormes de batatas igualmente enormes, acompanhadas de uma maionese deliciosa, que parece ter sido feita por anjos. Amei as do Belgian Frites, ali na cidade velha, pouco acima da Grand-Place.

para os chocolates, dica: se você vir os kits de 6, 8 caixas e se empolgar com o preço, saiba que aqueles não são
os autênticos chocolates belgas; o que explica o preço tão baixo. Mas nem por isso deixam de ser gostosos! Comprei uma dessas promoções para trazer de presente pro pessoal aqui de casa e eles amaram. Tinham umas trufinhas em formato de gotinhas que eram deliciosas e derretiam na boca. Dá saudade só de lembrar! hahah

Naquele dia, como eu estava literalmente tiritando de frio, resolvi sair à procura de um sobretudo decente para me aquecer, então achei alguns brechós pela internet e fui à caça. Acabei não gostando ou achando tudo caro, até que, por acaso, topei com uma “boutique vintage” (a.k.a.: brechozão! hahah), a Docks Caviar.

Lá eles têm muitas, muitas roupas! Ao contrário da maioria dos brechós, lá você não precisa garimpar demais para conseguir achar coisas boas. Os casacos pesadões ficam por volta de 50 euros, os mais leves, por uns 30, as jaquetas de couro saem a cerca de 100. Tem vestidos de un 15, 20, muitas camisas e camisetas… Não é barato, barato, mas as coisas são bem lindas e conservadas. Adorei!

Se você quiser coisa nova e mais barata, pros lados da Grand-Place (mais nos arredores, na verdade), tem uma galeria cheia de lojas de bolsas, malas e casacos. Comprei um outro sobretudo com um indiano e adorei. Mais ajustado, com corte legal. Só não lembro o nome do lugar. Vou tentar pesquisar e atualizo aqui.

Aliás, dica: 

Para encontrar endereços de restaurantes, brechós, lojas e cia na Europa, achei mais útil consultar o Yelp, que é bem popular por lá, do que qualquer outro site. O Foursquare também rola, mas é melhor para restaurantes.

Falando nisso, se tem uma coisa que Bruxelas tem é brechós e antiquários! Se você gosta de coisas vintage, objetos de decoração, trecos e tal, vai fazer a festa por lá! Na Rue Blaes (Blaesstraat), que ficava logo acima da Place du Jeu de Balle, onde eu fiquei, haviam várias lojas. As de câmera e decor me deixaram doida, hehe.

brigadeiro tour por jess cirino, bruxelas, belgica - igreja

E o dia foi basicamente batendo perna pela cidade, procurando presentinhos chocólatras para a família e enchendo o bucho de batata frita. Tanto que passei umas duas semanas sem querer comer. hahah

Já para a segunda e última noite, decidimos ir ao famoso Delirium Café, um bar que já entrou no livro dos recordes por oferecer a maior variedade de cervejas, e descobrir se era mesmo bom.

Mas como tenho ascendente em libra e sou uma mulher de gostos favoritos, resolvi repetir a dose da cerveja de cereja e nela fiquei. E, eita… como daquela água bebereis! haha.

Foi bem legal, tava bastante cheio, mas conseguimos uma mesinha e ficamos umas duas horas por lá. Só é meio difícil ser atendido quando o movimento tá intenso, porque fica todo mundo querendo chamar a atenção dos bartenders, então vira uma disputa.

Voltei com uma colega francesa do hostel para lá, dormi cedo e me preparei para pegar o trem para Bruges, no dia seguinte. E assim acabou minha estadia em Bruxelas!

Ah, para facilitar, vou passar a colocar esses guias com resumos das informações mais importantes para vocês, ó:

Espero que seja útil e vocês gostem! Se usarem alguma dica ou tiverem mais, me contem! 🙂

 

 

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Em VIAGEM

Brigadeiro Tour | Paris: o sonho e as desventuras em série

Diário de Viagem Paris - Eurotrip, BrigadeiroTour

Bem-vindos à Brigadeiro Tour – O Diário de Viagem! Este é o primeiro post da série com um resumo, muitas fotos e dicas de cada lugar pelo qual passei nos 37 dias de férias pela Europa.

Para quem não sabe, batizei assim a viagem porque foi graças a quase dois anos vendendo brigadeiros – no projeto que se chama O Brigadeiro Viajante – que consegui realizar o sonho de viajar para conhecer minha tão sonhada Paris – e cia.

A viagem rolou de 27 de abril a 01 de junho e, apesar de alguns perrengues (logo mais conto todos eles pra vocês), foi incrível!

A ordem dos lugares visitados foi essa: Paris, Bruxelas, Bruges, Amsterdã, Praga, Florença, (com uma day trip para Pisa e Calafuria), Nice, Praga (Sim, de novo! Ah, e com uma day trip para Berlim; mas dela eu ainda não vou falar, porque mal conheci, hehe).

Então, sem mais delongas, vamos ao relato do que foram os meus dias em Paris! ♥

Montmarte, Les Murs de je T'aime - Paris - Diario de Viagem com Jess Code - BrigadeiroTour

A VIAGEM
Como boa mineira, saí cedíssimo de casa, porque ia fazer a conexão separada de BH – SP, para, então, pegar o voo de SP para Paris, com conexão em Lisboa.

Era minha primeira viagem internacional, então eu estava puro nervoso. Carreguei uma pasta com um milhão de documentos e comprovantes (e não precisei usar nenhum! haha) comigo o tempo todo e parecia o Chico Bento na cidade grande! hahaha

Depois de ouvir mil histórias de terror, me imaginava sendo parada pela imigração, indo à salinha, explicando como ia viver por conta própria na Europa por mais de um mês… Mas foi a coisa mais tranquila do mundo!

Desci em Lisboa (o praxe é fazer a imigração no aero de conexão mesmo), segui a fila e parei num saguão enorme, com todo mundo esperando pela imigração. Era cedo, umas 6h40, então era basicamente só o meu voo.

A fila andou rápido e, quando cheguei ao guichê, tremendo levemente, o moço só pegou meu passaporte, escaneou, carimbou e me desejou boas-vindas e uma boa estadia.

Fiquei pensando: “é só isso?! Aposto que é pegadinha e tem mais fila lá dentro!” hahahha

Mas era mesmo só aquilo. Lá estava eu, livre. Agora era só esperar o próximo voo e chegar a Paris… 

Paris, diário de viagem, por Jess Code - BrigadeiroTour

A CHEGADA
Se o meu primeiro dia em Paris fosse um livro, o nome seria Desventuras em Série. Foi uma sucessão de loucuras e coisas dando errado que eu até cheguei a pensar que passei a vida toda sonhando com uma coisa que tava destinada a dar errado (bem dramática, ela!).

Então, eu tinha alugado um estúdio (o nome que eles dão para “nano apê”, hehe) pelo Airbnb e combinei com a Caroline, a dona, que chegaria às 13h30.

Calculei com espaço de tempo: o voo estava previsto para chegar às 11h15 no aeroporto de Orly, depois eu esperaria as malas, as recolheria, pegaria o OrlyBus, um metrô e andaria um pouco da Gare de Lyon (que ficava a uns 5 minutos a pé do apartamento) até o prédio, onde encontraria a host.

Isso tudo em tese, porque é claro que Murphy não ia deixar essa tranquilidade toda rolar, não é mesmo?

Pois bem. Cheguei às 11h15, como planejado, as malas chegaram superrápido e eu fui rapidinho caçar meu rumo pra casa. Como o meu celular estava com 5% de bateria e, por alguma bruxaria, os meus dois power banks ligaram sozinhos até descarregarem, fui procurar uma tomada para carregar o telefone e confirmar meu itinerário. Não achei. As pouquíssimas que vi estavam ocupadas e sendo disputadas quase a tapa.

Quando desci ao saguão, estava um caos. Lotado até a tampa, pessoas oferecendo Uber, taxis, vans… Comprei o ticket do OrlyBus por 8 euros, mas vi que havia um bloqueio na saída e vários oficiais do exército com fuzis (?) nas mãos.

Arco do Triunfo, Paris - Diario de Viagem - Brigadeiro Tour 2017 - Jess Code

Voltei ao andar de cima e perguntei no guichê de informações o que tava rolando. A moça me disse, com a cara mais serena do mundo: “Há uma bagagem desacompanhada no saguão e acredita-se ser uma ameaça de bomba. O esquadrão está verificando e em breve a saída para a faixa de ônibus deve ser liberada”.

Nessa hora, eu desejei estar de fralda, porque quase fiz xixi na calça de tanto medo. Pensei: “fudeu! Levei 25 anos para chegar aqui e vou morrer explodida no mesmo dia!”. Pensei na minha mãe, que tava morrendo de medo dos ataques e não queria de jeito nenhum que eu fosse. Mas é aquele ditado: “vamo” fazer o quê?! Voltei pra baixo e fiquei esperando.

Umas 12h15 tava liberado, saí e fiquei esperando na fila. O tempo estava bem nublado e meio frio, com um chuva bem fininha começando a cair. Aí começou a espera. Nada de ônibus até as 12h35. Quando ele passou, estava mais lotado que o 8207 descendo a Raja Gabáglia no fim do expediente (belo-horizontinhos entenderão, hahah). Ninguém conseguiu entrar.

Eu já tava em pânico, porque sabia que não ia dar tempo de chegar ao apê na hora marcada e meu celular estava sem bateria nenhuma.

Umas 13h05 o ônibus finalmente passou. Corri pra dentro, colei na grande e fui torcendo pra moça ser bem compreensiva. Cheguei a uma estação, de acordo com o que tinha anotado do Google Maps, conferi a linha do RER (tipo um metrô de dois andares, que faz conexão nas estações de metrô e trem e vai para a região metropolitana de Paris), comprei o ticket e me fui. Depois de mais uma conexão, lá estava eu, na Gare de Lyon.

Como a chuva estava ficando mais forte e já eram 15h35, apertei o passo, errei o sentido da rua (claro), voltei correndo e cheguei finalmente ao prédio. Nada.

Não tinha porteiro, não tinha ninguém. Eu tava com um mochilão de 14 kg nas costas e uma mochila de 8kg nos braços, com frio, cansada, faminta… e sem teto!

brigadeiro_tour_eurotrip_paris_tuilleries_jesscode

Desesperada, toquei todos os interfones e, quando repeti um deles, uma moça saiu de uma loja ao lado do prédio (uma agência de empregos) e me perguntou se podia ajudar. Eu, com meu parco francês, tentei explicar a situação e, depois de alguns pequenos fracassos, consegui fazê-la entender. Ela me deixou entrar na agência, me apresentou ao colega dela e me deixou carregar meu celular.

Então peguei o telefone da Caroline, a proprietária, e ela ligou para ela, explicando em francês o que tava rolando. Depois eu mesma falei com a mulher, expliquei que me atrasei porque o aero estava bloqueado e ela disse que essas ameaças estavam rolando muito mesmo, mas que ela só ia conseguir voltar para me receber às 22h.

Eu gelei. De novo. Eram 16h e eu ia ficar na rua até a noite. Que sorte!

Consegui enrolar mais um pouco na agência, experimentando em primeira mão de todo o poder de sarcasmo dos franceses, distribuí alguns brigadeiros e conquistei um pouco mais de simpatia com o combo doce + “ah, você é do Brrraseel! Adooorrroo Brraaseel!”.

Depois, me despedi e fui caminhando de volta à Gare. No caminho, pertinho do prédio, encontrei o primeiro item da minha lista de desejos: a Rue Crémieux.

Diário de Viagem em Paris, Rue Cremieux, BrigadeiroTour por Jessica Cirino

Linda, cheia de casinhas coloridas, parece uma nano Recife ou Ouro Preto. É bem curtinha, mas vale a visita. Você com certeza vai pirar nas casinhas e querer uma foto de cada, como todo mundo faz. hehe

Então segui para a Gare, comprei um lanche naquela que se tornou a minha melhor (lanchonete) amiga francesa, a Brioche Dorée (guardem esse nome! Você compra o menu “formule” com sanduíche tipo Subway + bebida + sobremesa por 7 euros), me sentei, coloquei o celular para carregar e liguei o wifi para avisar a todos que estava viva.

Uma vez recarregada, fui caçar os lockers e, depois de me perder umas 3 vezes e subir e descer as mesmas escadas, encontrei o tal lugar.

Paguei 5 euros para deixar a mala lá até as 21h da noite, levei comigo a mochila com os itens mais caros (computador, câmera, dinheiro, cartões e tal), olhei um novo itinerário e peguei um metrô para o Champ de Mars. Afinal, o dia podia estar uma merde, mas nada que uma visita à Torre não pudesse curar…

Cheguei lá e… cara, foi meio surreal.

Quando você passa quase literalmente a vida toda sonhando com alguma coisa que parece tão incalcançável e aí você consegue aquilo… É uma sensação meio irreal. Você não sabe se tá mesmo vivendo aquilo ou não e, ao mesmo tempo, fica quase catatonicamente eufórica.

Então, depois de andar distraída pelo frio, cruzei o quarteirão e, PÁ! Lá estava ela.

Champ de Mars - Torre Eiffel, Paris - Diario de Viagem - Jess Code

Fiquei uns 3 minutos parada, só admirando de onde eu estava. Aí voltei a funcionar e fui andando pelo campo. Parei, fiz mil fotos, notei algo que nunca soube: existem vários nomes registrados mais próximo à primeira base, notei as cores, as luzinhas, o tamanho… Tentei gravar tudo na mente, pra eu lembrar sempre do momento em que Paris ficou mesmo real pra mim, hehe.

Aí continuei andando – a mágica da primavera/verão europeu é o dia que é claro até umas 20h, 21h da noite. Eram umas 19h, quando parei de fazer fotos e sentei na grama, e não dava nem sinais de escurecer.

Eu queria ficar lá até as luzes acenderem, mas como ainda tava muito claro e eu precisava pegar as malas, resolvi voltar. Fui andando, peguei o metrô (depois de milagrosamente me perder uma vez) e voltei à estação.

Depois de pegar as malas, fiz hora comendo algo e respondendo o whatsapp e, às 21h50, saí para voltar ao apartamento.

Ruas de Paris - Diario de Viagem - Jessica Cirino, Jess Code

A HOSPEDAGEM

Para quem tá indo sozinho a Paris, essa aqui vai ser uma dica de ouro. Falo sozinho, porque aluguei um estúdio bem pequeno e com uma cama de solteiro, mas, se você e o mozão toparem uma super conchinha, também serve. haha

A Caroline foi super simpática e, por fora – e na parte ryca, de dentro -, o prédio é lindo. Você tem uma “tag” presa ao chaveiro que serve para abrir a porta. Tipo um selo magnético. É só encostar no interfone e a porta destrava.

Depois de entrar pelo saguão, tem dois acessos: um dá para o elevador e a escadaria de mármore do povo rico. A outra, uma porta de madeira que abre para a porta das lixeiras e a escadaria forrada de plástico dos mini estúdios, a parte que eu carinhosamente apelidei de O Cortiço.

O lado ruim: essa parte não tem elevador e o apartamento fica no oitavo andar! Então imagine subir aquilo todo dia, numa escadaria tipicamente francesa (ou seja: bem estreita). Agora multiplique esse sofrimento por mil caso você, como eu, esteja subindo morta de cansaço pela primeira vez com mais de 20 kg de bagagem nas costas. Pois é, quase morri!

Mas o estúdio é lindo e exatamente como a Carolina mostra nas fotos! Ah, outro contra do lugar é que não tem wifi. Eu só senti falta à noite e antes de sair de casa, porque na rua é fácil de achar conexões gratuitas. Aliás, dica de ouro: compre o plano de dados de alguma operadora, se você ficar numa situação parecida, mas não compre os pacotes avulsos da Free. Paguei 15 euros e mal consegui usar! (E fica o aviso: Free Wifi não significa wifi grátis, nesse caso. É só a operadora mesmo. hahah. Isso me deixou confusa no primeiro dia).

O vaso sanitário fica fora do quarto, no corredor, mas, apesar de meio estranho, no começo, foi de boas. Nunca cruzei com nenhum vizinho por lá e eu mal fiquei em casa, então levei numa boa.

Agora, vocês pensam que os dramas do primeiro dia acabaram? Nã-nã-ni-na-não!

Rue Cremieux, Paris - Jess Code, Diario de Viagem - Brigadeiro Tour

Depois que a Caroline saiu, fiz um chá, ligando a tomada no adaptador que não podia – eu me esqueci – e queimei o danado (mais tarde, descobri que dei sorte, porque poderia ter morrido ali mesmo, graças à corrente elétrica do mal que corria por lá). Quando fui tomar banho, o mini box começou a inundar e eu, desesperada e achando que o ralo fosse de encaixar, como aqui, enfiei o dedo e tentei puxar… Foi aí que cortei meu dedo tão profundamente que em questão de segundos o chão do box estava todo vermelho.

Saí desesperada, manchando o chão todo, embrulhei o dedo em papel higiênico, limpei tudo e fiquei refletindo se valia a pena acionar o seguro logo no primeiro dia (e, mais que isso, descer aquela escadaria toda). Decidi que não, amarrei o dedo com um laço e torci para não ser encontrada morta na semana seguinte (muito dramática, sim, mas o corte só tá acabando de cicatrizar hoje, em agosto, para vocês terem uma ideia). E assim acabou o quase interminável primeiro dia em Paris!

PASSEIOS

Acabei não indo a nenhum museu, nem subindo na torre (achei caro). Mas conto o motivo disso mais pra frente, hehe. Por ora, vou dividir a dica: em vez de pagar para ter vistas legais de Paris, você pode subir até o terraço das Galeries Lafayette (é de graça) e admirar quase todos os pontos importantes da cidade de uma vez só. Você vai ficar meio na bad quando vir tanta coisa linda, mara… e cara, mas vai ser um passeio interessante. O teto tem um vitral lindo e a vista lá de cima é impagável!

galeries lafayette, paris - brigadeirotour - jess code

Ah, outro conselho (não só para Paris, mas para qualquer lugar em que você estiver visitando) é andar. Mesmo que seja uma distância maior, você vai descobrir lugares e detalhes que você dificilmente teria a chance de conhecer, caso fosse de metrô, uber e cia.

Num dos últimos dias, o feriado de 1º de maio, por exemplo, eu saí de onde estava, no 12º, andei pela beira do Sena, depois virei por alguns outros bairros, fui ao Louvre, a alguns jardins e fui parar nos limites de Paris com Neuly-Sur-Siene. Vi tanta coisa legal! E ainda peguei tudo mais vazio, graças ao feriado.

Louvre vazio, Paris - BrigadeiroTour - Diário de viagem por jess code

E se você gosta de perfumes, aproveite que está no lugar certo e passe na Fragonard, uma perfumaria que só existe na França, e faça o tour gratuito. Quem me apresentou ao programa foi a Audrey, uma amiga de quem vocês ainda vão ouvir falar muito por aqui. As visitas acontecem de hora em hora, se não me engano, e podem ser feitas em inglês ou francês (tô na dúvida se também rola em espanhol).

Lá, você descobre mais sobre a história do perfume, a trajetória da Fragonard e depois vai para uma sessão de demonstração. No final, eles oferecem os produtos (claro), por um preço com um desconto bem bom para quem comprar o kit (que pode ser dividido entre pessoas do tour, para ficar mais em conta). Gostei tanto que em Nice, voltei lá para comprar um, de presente para a minha mãe.

Fragonard perfumaria Paris - BrigadeiroTour - Jess Code

ALIMENTAÇÃO

Para quem quer comer sem gastar muito, indico os crepes, paninis e os carrinhos de comida árabe pelo caminho. Só não compre nos pontos muito turísticos, porque vão ser sempre mais caros.

Perto da Shakespeare & Co. tem umas ruazinhas mais antigas cheias de lojas de souvenirs e restaurantes. Lá, você acha várias opções de refeições e lanches.

Em Paris, não comi fora, em restaurante, então ainda não tenho dicas disso. Mas logo mais faço um novo post mais gastronômico. Mas se você quer cozinhar em casa/no albergue, minha recomendação é passar no Monoprix (tem na cidade toda!) e fazer a festa. Eles têm várias opções de bebidas, comidas prontas e ingredientes frescos. Eu comprei uma tarte salgada e um saco enorme de salada por menos de 6 euros.

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SEGURANÇA

De bairros, fiquei no 12º arrondissement, mas gostei de quase todos os que vi: o Marais, o Montmartre (perto da Sacré-Coeur é mesmo um pouco tenso, mas é só fechar a cara e andar perto dos grupos, que os caras das escadarias não fazem nada).

Me senti muito segura o tempo todo. Inclusive, desci do metrô num ponto mais afastado, numa das noites, por volta de 23h, andei com o celular na mão (para achar meu rumo, hahha) e foi supertranquilo. Um baita choque de realidade, para uma brasileira. hehe

Achei os parisienses até simpáticos. Nos supermercados e lanchonetes os atendentes eram bem legais e pacientes com o meu francês capenga, nas ruas e metrôs eles, mesmo com pressa (ô povo apressado!), sempre paravam para me responder e me ajudar a achar a linha/caminho certos… Não sei se dei sorte, mas os achei bem mais legais do que ouvi falar a vida toda.

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CLIMA
Bom, é uma primavera meio fria. A temperatura mais baixa, acho, foi 7 graus, mas a sensação era de ser bem menos. À noite ficava gelado e fazia um vento que até arrepiava, haha. Mas nos dois últimos dias até rolou de sair sem casaco pesado. Acho que a máxima foi de uns 21 graus, por aí. Fui embora no dia 2 de maio.

TRANSPORTE
Eu fiquei encantada, apaixonada! Para uma belo-horizontina, que tá acostumada a ônibus que atrasam sempre e um metrô que só anda numa linha reta, SP já era mara. Quando cheguei em Paris e vi toda aquela profusão de transportes: metrô, trem, ônibus, RER, bike… pirei!

Usei o metrô todos os dias, em horários distintos, e sempre foi muito de boas, superpontual e fácil de usar. Não precisar correr ou ficar p*ta da vida porque perdi um carro foi a melhor sensação do mundo, hahaha (pobry mesmo!)
Nas estações você consegue comprar os tickets tanto com dinheiro quanto com cartão (mesmo o VTM), o que é bem prático. Ninguém tentou me aplicar o tal golpe da ajuda com a compra, felizmente.

Jardin du palais Royal, paris - brigadeiro tour, eurotrip - jess code

Bom, acho que é só. Se eu lembrar de mais coisas, coloco aqui ou crio mais posts. Mas se quiserem saber de algo, é só perguntar aqui nos comentários e eu respondo. 🙂

Espero que tenham gostado desse (enorme) diário de viagem. O próximo destino é Bruxelas! Preparem-se!

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